segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Camuflagem - Sapo verde

foto: Queila

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Não sei nem mais dizer...



Não sei nem mais dizer
O que sinto por você...
Se é amor... 
Se é amizade... 
Se é paixão...
Mas suspeito fortemente 
Que seja tudo isso junto!

Augusto Branco

domingo, 16 de outubro de 2016

Coala dormindo

foto:Queila

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ouvir Estrelas



"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido 
Tem o que dizem, quando estão contigo? "

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas".

Olavo Bilac

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O Anel de vidro



Aquele pequenino anel que tu me deste, 
- Ai de mim - era vidro e logo se quebrou... 
Assim também o eterno amor que prometeste, 
- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.

Frágil penhor que foi do amor que me tiveste, 
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, - 
Aquele pequenino anel que tu me deste, 
- Ai de mim - era vidro e logo se quebrou...

Não me turbou, porém, o despeito que investe 
Gritando maldições contra aquilo que amou. 
De ti conservo na alma a saudade celeste... 
Como também guardei o pó que me ficou 
Daquele pequenino anel que tu me deste...

Manuel Bandeira

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Livros e flores



Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?


Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor, 
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?



Machado de Assis

domingo, 24 de janeiro de 2016

Set de filmagem Hobbiton - New Zealand

O Hobbiton Movie Set foi usado para as triologias dos filmes O Senhor dos Anéis e O Hobbit.
O set de filmagem está situado em uma fazenda familiar cerca 10 Km a sudoeste de Matamata em Nova Zelândia, e é agora um destino turístico, oferecendo visitas guiadas.



Com suas incomparáveis 44 tocas de hobbit,
incluindo Bag End (a casa de Bilbo).
Conforme você passeia pelo núcleo de Shire,
você começará a ouvir os fascinantes relatos sobre como tudo foi criado. 
Apesar de não ser possível entrar em qualquer um deles.



Ao longo de sua jornada, você verá o Green Dragon Pub, o moinho,
a ponte de arco duplo e a famosa Party Tree.



Embora o set não foi construído para durar,
as fachadas e buraco hobbit foram construídos 
a partir de madeira não tratada, ply epoliestireno, 
era evidente que o local seria de interesse para os turistas.
Então, as visitas ao local de filmagens começaram em 2002 
e continuam a ser fornecida em uma base diária.

Fonte: Hobbitontours

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Se amanhã sentires saudades




Tua caminhada ainda não terminou 
A realidade te acolhe
 Dizendo que pela frente
 O horizonte da vida necessita 
De tuas palavras 
E do teu silêncio.


Se amanhã sentires saudades
 Lembra-te da fantasia 
E sonha com tua próxima vitória
 Vitória que todas as armas do mundo 
Jamais conseguirão obter 
Porque é uma vitória que surge da paz 
E não do ressentimento.


É certo que irás encontrar situações 
Tempestuosas novamente 
Mas haverá de ver sempre 
O lado bom da chuva que cai
 E não a faceta do raio que destrói. 


Tu és jovem 
Atender a quem te chama é belo 
Lutar por quem te rejeita 
É quase chegar a perfeição 
A juventude precisa de sonhos 
E se nutrir de lembranças 
Assim como o leito dos rios 
Precisa da água que rola 
E o coração necessita de afeto.


Não faças do amanhã 
O sinônimo de nunca 
Nem o ontem te seja o mesmo 
Que nunca mais 
Teus passos ficaram 
Olhes para trás 
Mas vá em frente 
Pois há muitos que precisam 
Que chegues para poderem seguir-te.




Charles Chaplin

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Se você errou




Se você errou, peça desculpas... 
É difícil perdoar?
 Mas quem disse que é fácil se arrepender? 

Se você sente algo diga...
 É difícil se abrir?
 Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar? 

Se alguém reclama de você, ouça... 
É difícil ouvir certas coisas?
 Mas quem disse que é fácil ouvir você?

 Se alguém te ama, ame-o... 
É difícil entregar-se?
 Mas quem disse que é fácil ser feliz?
 Nem tudo é fácil na vida... 
Mas, com certeza, nada é impossível...


Cecília Meireles

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Lembranças de você!



Já se passaram dois anos e ainda choro por você, fico olhando sua gravata favorita e por uns minutos ela me tira do choro lembrando suas brincadeiras. Quando vou dormir peço para sonhar com você, mas nunca consigo dizer adeus. Fico lembrando nosso último abraço, nossa ultima conversa, as vezes fico com raiva, por não ter ficando mais uns minutos falando com você e não ter dito o quanto eu o amo. 

Quando recebi notícias que você se foi, eu só queria tentar voltar a dormir para acordar e pensar que foi apenas um pesadelo, mas não consegui dormir. Quando cheguei em casa e não te encontrei e vi suas roupas no mesmo lugar, foi quando realmente percebi que você tinha ido. Eu sinto muito por não ter conseguido chegar a tempo para te ver ou dizer adeus. E conforme o tempo passa eu sinto mais sua falta, parece que chove todos os dias. 

Sabe, aprendi a preparar aquele peixe cozido, porque sei que era seu prato favorito, mas não sei se ficou tão bom. Eu sinto muito por você ter ido, mas você deve sentir mais por ter nos deixado. Eu esperava vê-lo de cabelos brancos, eu esperava vê-lo no meu casamento, eu esperava tê-lo por muito tempo, as vezes pensava que se eu estivesse ficado mais um pouco, talvez teria sido diferente, mas agora percebo que apenas estava procurando um culpado. 

Eu sei que você veio se despedir, lembro tão nitidamente, eu estava saindo para aula, quando abrir a porta e o vi do outro lado da rua, fiquei surpresa e perguntei como você conseguiu chegar até aqui, você apenas sorriu e disse: eu vim te ver! Acordei assustada, era apenas um sonho que parecia ter sido real. Liguei o telefone para ver as horas, e tinha uma mensagem, que tive que ler varias vezes para perceber o que realmente estava acontecendo. 

É difícil dizer adeus, nunca estamos pronto para dizer adeus. Ficamos apenas com a eterna saudade, pois o amor também é.



Queila Tavares



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Brincadeiras de crianças pintadas por Cândido Portinari



Brincadeiras de Crianças- S/D


Palhacinhos na gangorra- 1957


Menino com pião-1947


Brodowski- 1942


Meninos pulando cela- 1958


Roda Infantil- 1932

Futebol em Brodowski- 1935

Cambalhota- 1958

Portinari pintou quase cinco mil obras de pequenos esboços e pinturas de proporções padrão, como O Lavrador de Café, até gigantescos murais, como os painéis Guerra e Paz, presenteados à sede da ONU em New York em 1956. É considerado um dos artistas mais prestigiados do Brasil e foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional.
Em suas obras é possível encontrar muitos quadros relacionados à infância quando ele retrata diversas brincadeiras tradicionais como pipa,pião ,roda, cambalhota, entre outras.

Fonte: Pintura Brasileira/ Portinari.org

domingo, 27 de setembro de 2015

Canção


Pus o meu sonho num navio 
e o navio em cima do mar; 
- depois, abri o mar com as mãos, 
para o meu sonho naufragar. 

Minhas mãos ainda estão molhadas 
do azul das ondas entreabertas, 
e a cor que escorre dos meus dedos 
colore as areias desertas. 

O vento vem vindo de longe, 
a noite se curva de frio; 
debaixo da água vai morrendo 
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebrada.


Cecília Meireles

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Sacola plástica? Não, obrigado(a)!




Você já deve saber que as sacolas plásticas demoram mais de 400 anos para se decompor. Porém, como sabemos se os sacos plásticos só surgiram no final da década de 50. Na verdade, não. Pois não há nenhuma evidência em primeira mão de sua taxa de decomposição. Para fazer essas estimativas de longo prazo, os cientistas costumam usar testes de respirometria*. Os cientistas colocam uma amostra de resíduos sólidos, como um jornal, casca de banana ou saco plástico em um recipiente contendo adubo rico em microorganismos, em seguida areja a mistura. Ao longo de vários dias, os microorganismos assimilam a amostra pouco a pouco e produzem dióxido de carbono; o resultante CO2 que serve como um indicador da degradação.

Testes de respirometria funcionar perfeitamente para jornais e cascas de banana (Jornal levar de dois a cinco meses para biodegrada em uma pilha de compostagem; cascas de banana demorar vários dias.) Mas quando os cientistas testam os sacos plásticos genéricos, não acontece nada, não há produção nenhuma de CO2 e nenhum sinal de decomposição. Mas então porque? Os sacos de plástico são feitos a partir de etileno, um gás que é produzido como um subproduto de óleo, gás e a produção de carvão. O etileno é feito em polímeros (cadeias de moléculas de etileno) chamado polietileno. Esta substância, também conhecido como polietileno ou politeno, é feita em pastilhas, que são utilizados por fabricantes de plásticos para produzir uma variedade de artigos, incluindo sacos plásticos. Este polímero os microrganismos não reconhece como alimento.

Então, onde é que os 400 anos estatisticamente vem? Apesar de sacos de polietileno padrão não são biodegradáveis, eles fotodegradam quando exposto à radiação ultravioleta da luz solar, cadeias de polímeros de polietileno tornam-se frágeis e começar a rachar. Isto sugere que os sacos de plástico acabarão por se fragmentar em grânulos microscópicos. Até o momento, no entanto, os cientistas não têm certeza quantos séculos demoram para o sol trabalhar a sua magia. É por isso que certas fontes de notícias citam uma estimativa de 400 anos , enquanto outros preferem um mais conservador 1.000 anos de vida . De acordo com alguns especialistas em plásticos, todos estes números são apenas outra maneira de dizer: "a muito e muito tempo."

Às vezes, até mesmo cascas de banana não decompõem uma vez que atingem o aterro. Por razões sanitárias, aterros modernos são revestidas no fundo com argila e um lençol plástico para manter os resíduos de escapar para o solo e são cobertos com uma camada de terra para reduzir o odor. O aterro, então, age como um lixo túmulo. Então, o lixo dentro recebe pouco de ar, água ou luz solar. Isso significa que os objetos de resíduos mesmo facilmente degradáveis, incluindo papel e restos de comida, são mais propensos a mumificar do que se decompor.




Alternativas


Há uma série de alternativas para o uso das sacolas plásticas. Já existem os sacos biodegradáveis que são feitos a partir de resinas de amido (do milho, mandioca ou batata), como o ácido poliláctico (PLA) Porém os sacos de plástico biodegradável necessitam de mais plástico por saco do que os normais, porque o material não é tão forte. Muitos sacos biodegradáveis são também feitos de papel, materiais orgânicos ou policaprolactona. Os biodegradáveis levam menos tempo para se decompor e não deixam nenhum vestígio discernível e são completamente inofensivos para o ambiente. 


Sacola de tecido( minha favorita)

Outra alternativa que eu penso ser melhor, é os sacos de TNT ou de tecidos. Estes sacos podem ser mantidos no carro e usados novamente. A vantagem dos sacos TNT ou tecidos é que eles são mais fortes do que os sacos de plástico, e também muito mais fácil de transportar. É preciso um pouco de reflexão para se acostumar a trazer os seus próprios sacos, mas é um hábito fácil de cair e é um alívio para não ter que encontrar espaço para arrumar os sacos de plástico. 




Sacolas de TNT
Então da próxima vez que for as compras, mantenha sua cabeça erguida, não esquece de levar as sacolas e orgulhosamente comece a recusar as sacolas plásticas. Você não pode estar em um bote de borracha perseguindo um barco baleeiro ou perseguir caçadores de marfim, mas você fez uma contribuição para o futuro do planeta.




Queila Tavares



* Respirometria é uma técnica muito utilizada na determinação da biodegradação de resíduos misturados ao solo pela atuação de microrganismos presentes.

domingo, 9 de agosto de 2015

O frasco de maionese e café



Quando as coisas na vida parecem demasiado, quando 24 horas por dia não são suficientes...


Lembre-se do frasco de maionese e do café.




Um professor, durante a sua aula de Filosofia sem dizer uma palavra, pega num frasco de maionese e esvazia-o...tirou a maionese e encheu-o com bolas de golfe.
A seguir perguntou aos alunos se o Frasco estava cheio. Os estudantes responderam sim.
Então o professor pega numa caixa cheia de pedrinhas e mete-as no frasco de maionese. As pedrinhas encheram os espaços vazios entre as bolas de golfe.
O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a dizer que sim.
Então...o professor pegou noutra caixa...uma caixa cheia de areia e esvaziou-a para dentro do frasco de maionese. Claro que a areia encheu todos os espaços vazios e uma vez mais o professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio. Nesta ocasião os estudantes responderam em unânime "Sim !".
De seguida o professor acrescentou 2 xícaras de café ao frasco e claro que o café preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes nesta ocasião começaram a rir-se...mas repararam que o professor estava sério e disse-lhes:

'QUERO QUE SE DÊEM CONTA QUE ESTE FRASCO REPRESENTA
A VIDA'.
As bolas de golfe são as coisas Importantes:
como a FAMÍLIA, a SAÚDE, os AMIGOS, tudo o que você AMA DE VERDADE.
São coisas, que mesmo que se perdêssemos todo o resto, nossas vidas continuariam cheias.

As pedrinhas são as outras coisas
que importam como: o trabalho, a casa, o carro, etc.
A areia é tudo o demais,
as pequenas coisas.

'Se puséssemos primeiro a areia no frasco, não haveria espaço para as pedrinhas nem para as bolas de golfe. 
O mesmo acontece com a vida'.

Se gastássemos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teríamos lugar para as coisas realmente importantes.

Preste atenção às coisas que são cruciais para a sua Felicidade.

Brinque ensinando os seus filhos,
Arranje tempo para ir ao medico,
Namore e vá com a sua/seu namorado(a)/marido/mulher jantar fora,
Dedique algumas horas para uma boa conversa e diversão com seus amigos
Pratique o seu esporte ou hobbies favorito.

Haverá sempre tempo para trabalhar, limpar a casa, arrumar o carro... 
Ocupe-se sempre das bolas de golfe primeiro, que representam as coisas que realmente importam na sua vida.

Estabeleça suas prioridades, o resto é só areia...

Porém, um dos estudantes levantou a mão e perguntou o que representaria, então, o café.

O professor sorriu e disse:

"...o café é só para vos demonstrar, que não importa o quanto a nossa vida esteja ocupada, sempre haverá espaço para um café com um amigo. "




Aos meus amigos que nunca têm tempo para esse café!



Autor desconhecido

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A Rosa de Hiroshima




Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.


Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro , 1954

sábado, 13 de junho de 2015

O Quarto de Van Gogh

Primeira versão/ Outubro 1888

Uma das mais amadas obras de Vincent Van Gogh é o quarto. Foi pintada em Outubro de 1888, quando o artista estava vivendo na casa amarela em Arles. Para dar a seu irmão Theo uma impressão da pintura que ele estava trabalhando, Van Gogh enviou-lhe uma carta com um esboço detalhado. Um dia depois, ele também enviou um esboço para seu amigo e também artista Paul Gauguin.

Esboço enviado o seu irmão Theo


Esboço enviado ao Paul Gauguin


Vincent Van Gogh  considerada O quarto uma pintura importante. Pois no início de 1889, voltou para casa do hospital em Arles, onde havia sido internado lá depois de sua crise psicológica. Como escreveu a Theo: "Quando eu vi minhas telas novamente depois de minha doença, o que me pareceu o melhor foi o quarto".


Segunda versão/ Setembro 1889


Van Gogh depois fez duas outras versões. Enquanto ele estava longe de casa, a pintura sofreu danos causados ​​pela água. Vincent perguntou Theo para tê-lo alinhado (isto é, ligado a uma nova tela para reforço). Mas Theo voltou para ele, dizendo-lhe para fazer primeiro uma cópia por razões de segurança. Em setembro de 1889, Vincent produziu uma segunda versão da pintura, que agora está em exibição em Chicago. No mesmo mês, ele também fez uma cópia menor para sua mãe e sua irmã Wil. Esta terceira versão já pode ser encontrado em Paris.

Terceira versão/ Final de Setembro de 1889

Nas três versões do Quarto, podemos observa a diferença entre os quadros na parede (uma por cima da cama e duas lado a lado na parede da direita). Por exemplo, na primeira versão Van Gogh exibe dois de seus retratos favoritos, enquanto que na versão posterior, ele inclui um auto-retrato que ele não iria pintar até quase um ano mais tarde. Van Gogh pode ter incluído este auto-retrato especial na versão d'Orsay porque ele demonstrou ser extraordinariamente saudável e vigoroso, apesar de sua internação em Saint-Rémy. A "mensagem em uma garrafa" sutil para tranquilizar os destinatários originais da versão d'Orsay: A mãe de Vincent e sua irmã, Wil.


Fonte: Van Gogh Gallery

domingo, 10 de maio de 2015

Navio Negreiro- verso V

Fuga de escravos, óleo sobre tela por François Auguste Biard (1859)


Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus! 
Se é loucura... se é verdade 
Tanto horror perante os céus?! 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
De teu manto este borrão?... 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão! 

Quem são estes desgraçados 
Que não encontram em vós 
Mais que o rir calmo da turba 
Que excita a fúria do algoz? 
Quem são? Se a estrela se cala, 
Se a vaga à pressa resvala 
Como um cúmplice fugaz, 
Perante a noite confusa... 
Dize-o tu, severa Musa, 
Musa libérrima, audaz!... 

São os filhos do deserto, 
Onde a terra esposa a luz. 
Onde vive em campo aberto 
A tribo dos homens nus... 
São os guerreiros ousados 
Que com os tigres mosqueados 
Combatem na solidão. 
Ontem simples, fortes, bravos. 
Hoje míseros escravos, 
Sem luz, sem ar, sem razão. . . 

São mulheres desgraçadas, 
Como Agar o foi também. 
Que sedentas, alquebradas, 
De longe... bem longe vêm... 
Trazendo com tíbios passos, 
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel... 
Como Agar sofrendo tanto, 
Que nem o leite de pranto 
Têm que dar para Ismael. 

Lá nas areias infindas, 
Das palmeiras no país, 
Nasceram crianças lindas, 
Viveram moças gentis... 
Passa um dia a caravana, 
Quando a virgem na cabana 
Cisma da noite nos véus ... 
... Adeus, ó choça do monte, 
... Adeus, palmeiras da fonte!... 
... Adeus, amores... adeus!... 

Depois, o areal extenso... 
Depois, o oceano de pó. 
Depois no horizonte imenso 
Desertos... desertos só... 
E a fome, o cansaço, a sede... 
Ai! quanto infeliz que cede, 
E cai p'ra não mais s'erguer!... 
Vaga um lugar na cadeia, 
Mas o chacal sobre a areia 
Acha um corpo que roer. 

Ontem a Serra Leoa, 
A guerra, a caça ao leão, 
O sono dormido à toa 
Sob as tendas d'amplidão! 
Hoje... o porão negro, fundo, 
Infecto, apertado, imundo, 
Tendo a peste por jaguar... 
E o sono sempre cortado 
Pelo arranco de um finado, 
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade, 
A vontade por poder... 
Hoje... cúm'lo de maldade, 
Nem são livres p'ra morrer. . 
Prende-os a mesma corrente 
— Férrea, lúgubre serpente — 
Nas roscas da escravidão. 
E assim zombando da morte, 
Dança a lúgubre coorte 
Ao som do açoute... Irrisão!... 

Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus, 
Se eu deliro... ou se é verdade 
Tanto horror perante os céus?!... 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
Do teu manto este borrão? 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão! ... 

Castro Alves